Sem ter mesmo uma flor em minhas mãos, ofereci meu silêncio, que tão precioso era naquele momento de apreciação, mas infelizmente ela não me percebeu, óbvio que seria assim. Sentamos no banco da praça, perguntei a ela se gostaria de tomar uma alguma coisa, minha intenção era de que ela dissesse, sim, sim, vamos tomar uma cerveja, e não foi assim. Ficamos por mais de 2 horas na praça, eu com meu jeito envergonhado e apavorado com a situação, a qual eu gostaria de tê-la pelo resto de minha vida, quando indagou-me sobre do que gostava, dos meus desejos e pensamentos, saiu sem querer que tudo o que queria era tratar de uma dor, que tão rápido matava-me, era melhor sonhar com a bela e nunca vê-la, mas procurando intensamente, acabei tropeçando em muitas pedras, e caí debaixo dos seus pés.
Não, não me olhe assim, como todas as outras, e um ar de desprezo e indignação surgiu daquela linda mulher que se tornara o fruto proibido, um desejo antigo, um tesouro repleto de surpresas, e que amanhã talvez seja a minha maior decepção ou a mãe dos meus filhos. Não acreditas em mim, pois minha vida secreta é repleta de poesias, mesmo antes de ser um homem, sou por inteiro feito de letras e de uma bela sinfonia, o que me move, é a luz do sol e a noite enluarada. O meu templo te busca como uma fonte divina de inspiração e dedicação, ser o homem que te encanta e te espanta, mas que te louva, mesmo sendo todo errado e incompreensivel. Porque te daria o meu mundo, se me deres apenas uma chance eu serei eterno em ti. É que me faço tão solitário e confuso, em todos os momentos, pareço estar dedicando minha vida, e meu corpo, simplesmente para ti.
Assim pensei em tê-la visto, ela parecia deitada cantando em meu ouvido, e acordei de mais um sonho. Isso não passou, e pareço estar sempre correndo atrás de você, mas quem é você?
Queria eu, te oferecer apenas um momento, para o meu azar ou a sorte sua, eu não me encontro nessas tantas luas vazias, talvez a cada mudança, me transformo em um monstro. Se me viu quando pobre, sei que perdi a única oportunidade, se me viu rico, infelizmente não sou seu, que infeliz e confuso pensamento. Continuo fingindo ser uma estrela, tentando ser cada vez mais brilhante, para que teus olhos deslumbrados, imaginem apenas essa aura, e não vejas meu corpo imperfeito. Gostaria ter uma dialética lírica, para confundir sua cabeça, da qual imagino virgem de amores, mas posso fazer-lhe alegre com as minhas bobagens do cotidiano.
Minha boca se faz fonte de prata, ainda que eu grite para ti, não me ouviras, pois seu canto ensolarado cobre todos os pedidos, e faz com que o meu se esconda também. Te amo sem mesmo tê-la visto, você, minha mãe, irmã, meu amor, minha crença, agora chega, vou contar o que faço de ti.
Te faço pétalas de rosa, te faço minha escola de samba, te faço o meu cheiro, te faço mulher, te faço rubi, te faço única, te crio e recrio, e no meu quarto faço verbos de amor para ti, quando perguntares a mim, se ainda tenho folego para encontrar alguém assim, digo que sim, pois sei que você existe, eu dependo disso para viver. Se morreres, não me deixe aqui esperando, me leve contigo, quero ser o seu pilar de sustentação, aquele que eleva seu ego, aquele que repele o mal, aquele que lhe da amor quando precisas, não se importe comigo, deixe-me ser teu.
Eu, como um caipira, do fundão da capital, sempre que escrevo, sou mais, me faço maior, muito forte e decidido, já quando a realidade me toca, entendo toda a situação, mas não me dou por vencido. Canção e liberdade não se aprende por aqui, mas muito encantado pelos prazeres da carne, me deito com algumas mulheres, e as decepciono em todas as vezes, eu apenas sorrio, e digo, você não és minha, coloque sua roupa, vamos ser amigos, ela sem jeito, envergonhada, sai correndo, esqueces suas peças de roupas, sem mesmo eu tê-la feito chegar ao ápice. Ando meditando em sofrimento, não me deram o dom de ser mais uma peça de encaixe, a qual encontra seu par e se une, sem mesmo ter paixão. Não sou como imã, as mulheres não me vêem como o par perfeito, não me deram a esplendida beleza, o que me deram foi apenas esse instrumento, com o qual, os homens brincam de fazer filhos e sustentam cada vez mais o desejo da carne, são todos tão maquinais, são todos tão imperfeitos, mas na verdade quem sofre sou eu. Sou o papel no qual a mulher escreve poesias, sinto a dor, como uma tatuagem em meu corpo, vão escrevendo, suas perfeições e desejos, sonhos e anarquias. Eu te daria o meu tempo lunar, com a dadiva nas mãos, me faço o teu desejo, mas sem ao menos lhe tentar explicar, só sei do silêncio, só sei do silêncio.
Me perco do mundo, quando penso em ti, como o barco perde o rumo, como uma brasa, vou me queimando, me devastando, dizem que sou louco por pensar assim, eu deveria levar uma vida animada e alegre, mas infelizmente levaram minha pureza embora, sou agora mais um fruto na terra, que precisa viver para trabalhar, que precisa se vender para comer, que precisa queimar a foto para esquecer. Não sou assim, não tenho raiva, o que tenho é a esperança de um dia te encontrar.
Vou mergulhar nesse poço, que não é tão fundo, somos mortais e viemos de lá, começamos em um mar onde muita gente naufragou, estamos aqui para lutar e fazer nossa história.



